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sábado, fevereiro 28, 2004

Poder de compra... Quem compra quem? 

O aspirador cá de casa avariou. Começou por umas faíscas, até que começou mesmo a deitar fumo. Após várias tentativas frustradas de remediar a situação, vimo-nos obrigados a comprar um novo. O nosso velhinho Hoover 1000 durou talvez uns dez anos.
O novo aparelho é mais pequeno, mais silencioso, tem regulador de potência, utiliza sacos mais pequenos. A qualidade de construção é, no entanto, inferior.
É a ilusão do poder de compra. Quanto mais capitalista se torna uma sociedade mais esta ilusão cresce. Na realidade, o nosso poder de compra não aumentou assim tanto. O que se passou foi que os preços dos aparelhos se tornaram mais assecíveis. À custa do quê? Da qualidade, obviamente. Eventualmente, em termos económicos, acaba por compensar. Fica mais barato comprar 2 aspiradores de fraca qualidade que durem 5 anos cada do que comprar um aspirador mais caro que dure 10. No entanto, chegado o fim da vida útil do objecto, que fazer com todo aquele lixo plástico e metálico? Reciclagem? Não, não. Muito caro. Reutilizar? Como?
E a produção? Se se estragam mais, há que produzir mais. Se se produz mais, há que emprgar mais gente. Mas se se empregar mais gente, tem que se gastar mais a pagar salários. Hum... o melhor é mudar as fábricas para um país de terceiro mundo. Salários reduzidos, mais mão de obra.
Ora, para produzir mais, vamos reduzir nos materiais. Não é precisa tanta qualidade. E já agora, substituem-se aqui estas peças metálicas do projecto por umas de plástico. Malditos designers e a sua mania de desenhar bons produtos. É preciso é que as máquinas tenham umas linhas atraentes, umas cores apelativas e que as pessoas se vejam obrigadas a comprar um novo aparelho daqui a uns tempos.
E lá se polui mais um bocadito o ambiente com a tóxica produção de plásticos. Contornam-se umas leis, passam-se umas luvas, etc. e tal.
No final, todos ficam mais contentes, todos gastam menos e todos ficam servidos. As gerações seguintes que limpem o lixo. Temos problemas mais urgentes nas mãos. Vamos lá ver a bola...






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