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quarta-feira, fevereiro 18, 2004

Silas, o bom pirata. 

Hoje ainda fiz um esboço de tentativa de me tornar num utilizador do kazaa, mas não consegui encontrar satisfação. Continuo a preferir a pirataria tradicional.
Entretanto, apercebi-me que a pirataria tradicional tem uma componente social que a torna surpreendentemente educativa. Há aquele processo de ir conhecendo os gostos dos amigos. Além disso, emprestar um disco exige uma certa dose de confiança.
E depois, estes intercâmbios revelam bastante acerca da personalidade das pessoas. Não falo apenas do gosto, mas se a pessoa tem relutância em emprestar, se tem uma grande colecção de cds, se o disco está bem conservado, se a caixa já tem anos de utilização, se houve cuidado em fazer uma capa jeitosa para o cd pirata, se o cd é emprestado por auto-iniciativa, se foi comprado pelo aspecto, etc. Isso indica algo acerca da personalidade das pessoas, ou conta uma história da sua vida. Tudo isto cria cumplicidades entre as pessoas, fortalece as amizades, incentiva à interacção.
A pirataria na internet, como tudo o que adquire a dimensão de um grande comércio, perde aquela sensibilidade do serviço personalizado. Além de que, emprestar um cd, ou gravar um cd, não é um mero serviço, ou uma transacção comercial. Faz parte de uma relação.






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